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Reclamação Trabalhista nº 17184/1936

A Diretoria de Docas e Obras do Porto de Recife acusou os escafandristas Izaias Vieira dos Santos e José Severino Silva de terem se apropriado de uma variedade de tecidos descobertos no leito de um rio, resultantes do naufrágio de duas alvarengas denominadas “Lenira” e “Catende”, dividindo-os com outros funcionários e outras pessoas não pertencentes aos quadros da empresa. Os funcionários acusados afirmaram que não havia provas para culpá-los e que o incidente era alheio ao trabalho que exerciam. A comissão de inquérito resolveu que os acusados Izaias Vieira dos Santos e José Severino da Silva eram culpados, declarando inocentes os outros funcionários relacionados ao caso, e remeteu os autos do inquérito ao Conselho Nacional do Trabalho. O CNT julgou o inquérito procedente, em parte, para autorizar somente a demissão desses dois, e para que os outros funcionários fossem reintegrados às suas funções por falta de provas.

Reclamação Trabalhista nº 1799/1935

Antônio dos Santos, capitão de Longo Curso e ex-comandante da Cia. de Navegação Lloyd Brasileiro, requereu ao CNT a sua reintegração após ser “suspenso até segunda ordem”. Antônio Gomes dos Santos afirmou que sofrera agressão em serviço e que, pelas lesões sofridas, ficou impossibilitado, temporariamente, de desempenhar as funções do cargo – desde então, foi suspenso pela empresa e passou a não receber os vencimentos a que tinha direito. A Cia., no entanto, afirmou que o empregado já se achava “em condições de embarcar, aguardando, entretanto, vaga”. Considerando que o empregado possuía mais de 30 anos de serviços prestados à empresa, entendeu o CNT que Antônio Gomes dos Santos deveria ser reintegrado ao cargo com direito aos vencimentos não recebidos durante o período de suspensão – direito garantido após embargos apresentado pelo empregado, uma vez que o pagamento dos vencimentos não foi declarado expressamente no primeiro acórdão.

Reclamação Trabalhista nº 18884/1938

A companhia abriu inquérito administrativo para investigar a conduta do funcionário, acusado de abandono de serviço sem justificativa. Visto que ficou provada a falta, o CNT autorizou a demissão do empregado.

Reclamação Trabalhista nº 17594/1941

O empregado reclamou contra a empresa devido a uma redução de seus vencimentos. Visto que a diminuição do salário foi uma medida de ordem geral, em virtude da situação financeira da companhia, o CNT julgou improcedente a reclamação, por falta de fundamento legal. O funcionário apresentou embargos à sentença, os quais foram aceitos – dado que o aumento do salário constava no contrato e foi concedido por pessoa com autoridade para praticar atos pelos quais ficaria a companhia responsável – para reformar a decisão e lhe reconhecer o direito à percepção do aumento pleiteado, desde a data em que este foi averbado em sua caderneta.

Reclamação Trabalhista nº 1872/1940

A empresa abriu inquérito administrativo para apurar a conduta do funcionário, acusado de desídia no desempenho de suas funções e embriaguez em serviço. Visto que a investigação provou a falta do empregado, o CNT autorizou sua demissão.

Reclamação Trabalhista nº 13968/1936

O empregado reclamou contra sua demissão da empresa, alegando contar mais de 10 anos de trabalho. A reclamada aduziu ter dispensado o funcionário devido ao término de seus serviços de construção do porto. Visto que o trabalhador possuía direito à estabilidade funcional e que a dispensa não foi motivada por falta grave, o CNT julgou a reclamação procedente e determinou sua reintegração, com todas as vantagens legais. A companhia apresentou embargos à sentença, sob a alegação de ser privada, não estando, portanto, incluída no âmbito do Decreto 20.465, de 1931. Os embargos foram aceitos e a decisão reformada, autorizando a demissão do trabalhador.

Reclamação Trabalhista nº 14737/1933

A empresa pediu a exoneração de Irineu Nunes de Melo, acusado de roubo de materiais da empresa, tendo sido instaurado o devido inquérito administrativo. Sendo consideradas suficientes as informações extraídas das testemunhas, o CNT julgou procedente a reclamação e autorizou a demissão.

Reclamação Trabalhista nº 14903/1935

Os funcionários reclamaram perante a Delegacia do Trabalho Marítimo contra suas suspensões do serviço sem motivo justificado. A empresa alegou ter dispensado, e não suspenso os empregados, por serem estes apontados pelo Syndicato da Classe como “elementos refractarios ao trabalho” e aduziu que nenhum deles contava com mais de 10 anos de emprego. À exceção de Antonio Miguel Pereira, Antonio Dias e Antonio de Jesus, os trabalhadores não responderam ao pedido de informações para apreciação do CNT. Visto que dentre estes três, somente o primeiro conseguiu comprovar seu direito à estabilidade funcional, o CNT determinou a sua readmissão – com todas as vantagens legais – e julgou improcedente a reclamação de Antonio Dias e Antonio de Jesus por falta de fundamento legal. Tanto a companhia quanto estes dois funcionários apresentaram embargos à sentença, os quais foram desprezados.

Reclamação Trabalhista nº 16027/1936

Platão, marítimo, reclama contra sua demissão, que tinha se dado por motivo de embriaguez, porém, com os documentos apresentados, ficou evidente que o reclamante não gozava do direito de estabilidade funcional, e assim o CNT julgou improcedente a reclamação. Entretanto, o marítimo apresentou embargos a essa decisão, que foram aceitos, e ficou reconhecida a estabilidade de Platão, reformando a decisão do CNT, sendo reintegrado nos serviços da empresa.

Reclamação Trabalhista nº 14557/1936

A empregada reclamou contra sua demissão da empresa, alegando contar mais de 10 anos de trabalho como camareira. A empresa aduziu que a funcionária foi vista embriagada pelo médico de bordo do navio em que servia. Visto que não foi instaurado inquérito administrativo para apurar tal falta, o CNT julgou procedente a reclamação e determinou a readmissão de Euflasina de Menezes, com todas as vantagens legais.

Reclamação Trabalhista nº 14901/1935

O Syndicato dos Operários e Empregados na Indústria de Construcção Naval reivindicou junto ao Conselho Nacional do Trabalho indenizações a 65 de seus associados, funcionários estáveis da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, que foram suspensos durante uma greve e privados de seus salários, sendo depois reconduzidos a suas atividades após ser constatado que não fizeram parte da parada de atividades. O CNT decidiu pela improcedência da reclamação por falta de fundamento legal, considerando que a suspensão dos empregados durou apenas um mês e quatro dias, abaixo do limite máximo de 90 dias estipulado na lei. O sindicato recorreu da decisão. Porém, o Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio não tomou conhecimento do recurso, já que nesses casos se deveria recorrer não ao Ministro, mas sim ao Conselho Pleno do CNT. O sindicato, então, apresentou embargos contra a decisão original, porém estes não foram reconhecidos pelo CNT.

Reclamação Trabalhista nº 14904/1935

O empregado reclamou contra sua demissão da Companhia Commercio e Navegação, alegando contar mais de 10 anos de trabalho. Visto que a empresa não comprovou ter o funcionário tempo de serviço inferior a 10 anos e que o inquérito não observou as Instruções do CNT, o órgão julgou procedente a reclamação e determinou a reintegração do trabalhador. A firma apresentou embargos à sentença, que foram desprezados. Uma vez que a readmissão de José Alves Teixeira Junior implicaria no pagamento dos vencimentos atrasados, e a companhia se recusava a cumpri-lo, o Conselho estabeleceu multa de 10 contos de réis caso a ordem não fosse cumprida no prazo de 10 dias. A Companhia de Commercio e Navegação recorreu ao Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio. Este determinou o arquivamento do processo. Não contente com essa decisão, a firma entrou com uma ação sumária contra a União, alegando que tais decisões seriam ilegais.

Reclamação Trabalhista nº 15021/1935

Alvaro Fernandez Bandeira reclamou contra sua demissão da Companhia Lloyd Brasileiro, alegando contar mais de 10 anos de trabalho. Os documentos fornecidos pela empresa mostravam que o empregado possuía apenas oito anos de serviços prestados a ela. Portanto, CNT julgou improcedente a reclamação. O funcionário apresentou embargos à sentença, oferecendo nova documentação que comprovava seu direito à estabilidade funcional. Os membros do CNT, contrários ao voto do relator, decidiram aceitar os embargos. Posteriormente, tais embargos foram provados e a decisão reformulada, dando provimento à contestação do trabalhador e determinando a sua reintegração ao serviço com todas as vantagens legais.

Reclamação Trabalhista nº 16215/1937

O empregado apresentou recurso à decisão do CNT, que autorizou sua demissão, sob a acusação de agressão ao seu superior hierárquico. Entretanto, os embargos foram rejeitados.

Reclamação Trabalhista nº 16632/1936

O Capitão de Longo Curso da Marinha Mercante e 1º piloto da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, Floriano Candido de Viveiros Pinto, processou sua empregadora por esta tê-lo rebaixado mesmo já possuindo o direito à estabilidade. A empresa, em resposta, argumentou que apenas indicou o nome do Capitão para o cargo de imediato no navio Manaus de forma interina. Após apurar o caso, o Conselho Nacional do Trabalho entendeu que o reclamante não possuía o direito à estabilidade na época do rebaixamento, considerando a reclamação improcedente por falta de amparo legal. O funcionário apresentou embargos à decisão, os quais foram aceitos pelo Conselho, que converteu o julgamento em diligência para apurar o nome do funcionário substituído pelo reclamante no cargo de imediato e que, na presença de um funcionário da Secretaria do CNT, se verificasse o original da caderneta-matrícula pertencente a Floriano Cândido, oficiando as duas partes do processo. Feita a diligência, o Conselho reformou a decisão original, julgando procedente a reclamação para determinar o imediato pagamento de indenizações ao funcionário, devidas por conta das diferenças entre os vencimentos. O reclamante, pois, requereu a extração da carta de sentença, no que foi atendido, mas depois acabou por renunciar das diferenças de vencimentos que lhe foram reconhecidas pelo CNT.

Reclamação Trabalhista nº 14139/1934

O Sr. Delegado do Trabalho Marítimo remeteu o inquérito administrativo em que mandou apurar a causa do desembarque do motorista Justino Rodrigues da lancha Alicia . A firma Wilson Sons & Co. Ltda. alegou que o funcionário faltou entre os dias 25 e 29 de Outubro de 1934. Wilson Sons dispensou o seu empregado Justino Rodrigues sem o devido inquérito administrativo. O empregado justificou a sua ausência no serviço, alegando que a sua esposa estava doente, permanecendo ao lado dela por exigência médica, durante os quatros dias. Resolveram os membros da Segunda Câmara do CNT readmitir o empregado no cargo.

Reclamação Trabalhista nº 14350/1940

A Cia. instaurou inquérito administrativo para apurar falta grave atribuída à prática de atos de improbidade, conferidos aos funcionários Adolfo Ferreira Costa e Mario Francisco de Paula. Visto que não ficou provada a falta grave contra Mario e ele não tinha direito à estabilidade, o Conselho não tomou conhecimento da acusação. Mas, quanto ao acusado Adolfo Ferreira, foi autorizado a sua demissão.

Reclamação Trabalhista nº 14906/1935

Moacyr Eubank Tamborim reclamou contra ato da companhia de tê-lo retirado do posto de 1º piloto. Ele solicitou sua efetivação no cargo e o pagamento dos vencimentos relativos ao período em que esteve rebaixado. O processo foi encaminhado pela Delegacia do Trabalho Marítimo ao CNT, porém está incompleto e não consta decisão do órgão.

Reclamação Trabalhista nº 15017/1936

A sociedade União dos Foguistas representou seu associado, Domingos Martiniano Muniz, contra a Companhia de Navegação Lloyd, junto ao Conselho Nacional do Trabalho. Devido a um acidente de trabalho, o funcionário foi internado na casa de saúde “Manoel Victorino”, onde passou por uma cirurgia de hérnia. Foi cobrada da empresa a despesa do hospital, e a empresa pagou a despesa ao Instituto dos Marítimos. Por isso, a Companhia efetuou descontos mensais do salário, relativo à assistência prestada do associado. O CNT da Primeira Câmara julgou procedente a reclamação, por ser indevida, no sentido de determinar que a mesma pagasse ao requerente o reembolso da importância cobrada.

Reclamação Trabalhista nº 12481/1938

Benevides Augusto do Nascimento e Joaquim Cruz reclamaram contra a Companhia Docas de Santos porque foram suspendidos dos serviços pelo período de 30 dias como medida disciplinar. Benevides, com mais de 10 anos de serviços, reclamou contra o rebaixamento de função com redução de salários. Joaquim foi readmitido sem receber os vencimentos durante o período de sua suspensão. Visto que a redução de salários e rebaixamento de funções não estavam plenamente justificadas, a 2ª Câmara do CNT resolveu julgar procedente, em parte, a reclamação e condenar a Cia a reconduzir o empregado Benevides ao exercício das funções anterior com os salários e indenização da diferença. A Cia. opôs embargos à decisão, porém, em sessão plena, o CNT não conheceu os embargos e confirmou a decisão anterior.

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